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MondayJuly 142008

Vaticano: seja católico ou não - parte 2

240896795_1d8898d8e3_o_3 Não sei porque, mas a sensação que tenho é a de que eu entrei sozinho naquela imensa igreja. Não me lembro dos turistas, tudo que me lembro é da minha experiência pessoal com aquele prédio cheio de história. Tente colocar na sua cabeça toda aquela imensidão. Logo depois de entrar, você vai ser automaticamente levado a olhar para o seu lado direito. Se eu tivesse qualquer tendência em me tornar Católico, acho que aquele seria o momento perfeito para fazê-lo: o momento em que vislumbrei La Pietá. Uma capela simples com essa escultura que te magnetiza: uma mãe com o filho adulto deitado em seu colo. Eu andei por toda a igreja, mas de alguma forma era sempre levado a voltar e olhar aquela cena de novo. Sem dúvida, uma das coisas mais bonitas que já ví. Como é que Michelangelo, aos 24 anos de idade, no ano de 1499, conseguiu tal proeza em mostrar tantos sentimentos e emoções naquela escultura? Esse foi mais um momento em que não me lembro de nenhum turista ao meu lado. Falo isso porque eu tenho visto algumas fotos do Vaticano e está sempre cheio de gente andando para lá e para cá. Creio que eu tenho essa capacidade de me isolar com a experiência do momento nessas viagens.

Ao andar pela Basílica de São Pedro (que não é a Catedral de Roma) tenha consciência de que você está entrando na maior igreja Católica do mundo. Olhe em todas as direções, inclusive o chão de mármore onde você vai encontrar o nome e símbolo das dioceses do mundo inteiro.
Não deixe de visitar a cripta onde você pode ver o túmolo de papas recentes e do passado. Quer algumas informações da grandesa desse monumento? São 31 altares, 27 capelas dentro da basílica, 390 estátuas, 135 mosaicos e 15 mil metros quadrados de mármore.

Depois de visitar a Basílica onde bispos são sagrados, novos santos são proclamados e onde por séculos e séculos as coloridas e bem coreografadas liturgias católicas acontecem, visite a maravilhosa Capela Sistina. Um pequeno livro comemorando a restauração da Capela que comprei enquanto no Vaticano tem o título que resume as pinturas que você vai ver em seu interior: Capela Sistina - Santuário da Teologia do Corpo Humano. É claro que está diante de obras como A Criação de Adão ou do Juízo Final torna-se momentos únicos e inesquecíveis, porém, minha maior fascinação com a Capela Sistina foi a do meu senso histórico de que naquele exato lugar são realizados os conclaves onde são escolhidos os novos papas da igreja. É dalí que se origina a tão famosa fumaça branca que anuncia a eleição de mais um sumo pontífice. É alí também onde todos os anos por ocasião da Páscoa acontece uma dessas coisas que só o Vaticano mesmo consegue criar com seus segredos, fofocas e intrigas.

Se você estiver por Roma na quarta ou sexta-feira da semana santa, tente participar da missa realizada na Capela Sistina. Nessa missa você vai ouvir o Miserere Mei, Deus composto por Gregorio Allegri em 1630. Por algum motivo ligado a supertição excessiva e secretiva do Vaticano, essa composição foi proíbida pelo Papa de ser copiada ou executada fora da Capela ou daquela missa específica sob pena de  excomunhão automática. Uma das coisas que mais chama a atenção nessa composição específica é o fato de, em meio ao canto coral, uma simples voz se destaca cantando a mais pura nota dó nas maiores alturas da nota, toda a música enche a Capela e você é elevado até o teto cada vez que o menino no coro (ou o castrato nos tempos antigos) atinge aquela difícil nota. A fascinação com a história desse Miserere não termina na sua técnica musical. Por causa da proibição decretada pelo Papa, a única maneira de se ouvir a música era participando da missa em um dos dias da Semana Santa. A tradição diz que lá pelo ano de 1770 um menino de 14 anos participou da missa na quarta-feira santa e ouviu aquela música. Mais tarde naquele dia, o menino sentou-se e escreveu toda a música de memória baseado no que havia ouvido durante a missa. O menino retornou na sexta-feira para checar se o que havia  memorizado estava certo e talvez fazer algumas correções. O nome desse menino era Mozart. Baseado na transcrição de Mozart, a música foi publicada em Londres no ano de 1771. Mozart não foi excomungado, mas sim admirado pelo Papa. Por falar em Miserere, saiba que a língua oficial do Vaticano é o velho e bonito latin. Isso significa que se você for tirar dinheiro no caixa eletrônico vai ser saudado pela máquina com a seguinte inscrição na tela:

Inserito scidulam quaeso ut faciundam cognoscas rationem

Pois bem, não deixe de estudar seu latin e, quem sabe, você é até
convidado para um bate-papo com o Papa.

By Alverson de Souza, atualmente mora na cidade de Boston (estado de Massachusetts) já por 10 anos.

Photo by Yakinodi

Posted by Josi Guimarães at 03.02PM to Religion | Link permanente | Comentários (1) | TrackBack (0)



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MondayJune 232008

Vaticano: seja católico ou não - parte 1

Seja você católico ou não, uma visita ao Vaticano é uma experiência inesquecível. Aliás, esse menor Estado soberabo do mundo oferece oportunidade de turismo para todos os gostos: arquitetura, arte, história mundial, monarquia, política e é claro, religião.

A primeira vez em que visitei a Cidade Estado do Vaticano foi como parte de um turismo de pequisa que fiz pela Europa. Mochila nas costas e muitos mapas nas mãos, aventurei-me pelos lugares mais diferentes com importância para a história do cristianismo. Aventura acadêmica realizada através da bolsa de estudos que recebi para estudos na área de teologia e história.

Baslia_de_saint_petersroma Cheguei em Roma pela manhã e imediatamente saí pela cidade capturando tudo o que fosse possível, meu plano era simples: visitar o Vaticano à tarde e a cidade de Assis no dia seguinte. Comecei bem, saí pelas ruas de Roma com meu mapa na mão indo em direção ao Vaticano. É claro que me perdi completamente no caminho porque os mapas me são, muitas vezes, inúteis, devido ao meu pobre senso de direção. De qualquer forma, continuei andando e admirando as belezas históricas de Roma, cada virada de esquina, uma surpresa. Foi em uma dessas viradas que me deparei com a suntuosidade da Basílica Vaticana e a praça que abraça os seus peregrinos. Foi um momento único que me paralisou por alguns segundos, um desses momentos em que tudo vem à sua cabeça ao mesmo tempo, fiquei literalmente "de boca aberta" diante daquele monumento histórico. Em meio à toda essa confusão mental e emocional, fui tomado pelo meu lado racional prático: como é que eu vou ver isso tudo em apenas uma tarde? Basta dizer que, em vez de uma pobre tarde, gastei 3 dias dentro do Vaticano absorvendo cada momento, cada detalhe, cada cor, cada inscrição, cada, cada, cada... As possibilidades são infinitas. Na verdade, eu precisava era de uns 5 anos para absorver o mínimo possível.

Se você é um daqueles que não pode ir à Roma sem ver o Papa, então, sugiro coordenar sua agenda de viagem com a do Papa. O site do Vaticano oferece a agenda do papa com certa antecedência.

Tudo no Vaticano tem algum significado demonstrado em cores, vestimentas ou gestos. Observe tudo. Nada é feito por acaso ou sem um sentido histórico ou fundado na tradição. Não deixe de reparar (é quase impossível não reparar) nas vestimentas da Guarda Suíça desenhadas pelo grande Michelangelo - são 150 peças naquela vestimenta colorida. Por falar em cores, aprenda a difereciar as hierarquias no "reino monárquico vaticânico" (sim, não se esqueça de que o Vaticano é o único reino monárquico absoluto na Europa) - Na remota possibilidade de você ver um homem vestido com uma batina de puro branco andando em algum beco de Roma, não tenha dúvida, esse é o Papa.

Se você tiver tempo e oportunidade, não deixe de visitar as catacumbas do Vaticano. São escavações arqueológicas diretamente embaixo da Basilíca de São Pedro (por falar nisso, você sabe a diferença entre basílica e catedral?). Como é sabido na história, a basílica foi construída sobre um cemitério. A idéia do imperador romano Constatino
era a de que o Altar Maior da Basílica de São Pedro fosse eregido exatamente em cima da tumba onde foi enterrado o Apóstolo Pedro. O fato se passou e centenas de anos mais tarde o Vaticano iniciou escavações arqueológicas embaixo da Basílica e, para a surpresa de muitos, encontrou uma verdadeira cidade dos mortos. Você pode visitar as escavações enquanto em Roma. O único problema é que os ingressos são limitados a 250 por dia. A única maneira de conseguir ingressos é através do Escritório de Escavações do Vaticano: e-mail: scavi@fsp.va or uff.scavi@fabricsp.va, por fax: (39-06) 6987-3017, ou diretamente no escritório.

Se você só tem uma tarde ou um dia para visitar o Vaticano então, é melhor não ir porque você vai ficar maluco, mas se você tiver que escolher, visite a Basílica e a Capela Sistina.

Photo: Danferb

By Alverson de Souza, atualmente mora na cidade de Boston (estado de Massachusetts) já por 10 anos.

Posted by Josi Guimarães at 05.13PM to Religion | Link permanente | Comentários (0) | TrackBack (0)



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